24 junho, 2023
Obrigado Teresa Fraga
17 abril, 2023
PimBASTONAda!
Enviaram-me o vídeoclip e eu nem estava a perceber bem o que era aquilo, não reparei nos intervenientes.
Na altura, confesso até que fiquei um pouco apreensivo,
porque pensei que me estivessem a enviar uma declaração de amor: “Leva-me
contigo meu amor!”. E quem me enviava era um homem. Mais apreensivo fiquei.
Depois comecei a aperceber-me de muito movimento na
internet, até que fui ver melhor o videoclip. E aí levei uma Pimbastonada ! O
queixo caiu-me na mesa e as pestanas colaram-se-me às sobrancelhas, como nos
cartoons. Como foi escrito em comentários, naquela que tem sido a paródia geral
espalhada por todas as redes sociais, pela reação ao videoclip, “vou dormir de
luz acesa”.
Como curiosidade, outro também escreveu: “É vendido ao garrafão?
Qual o preço? Não quero”. É só para terem uma pequena amostra e ideia da
paródia que circula.
Então depois percebi, que afinal não era uma declaração de
amor, mas sim mais uma seta de Cupido, de quem sabe da “paixão” que nutro pela
bastonária.
Depois de tantas vezes a criticar, lamento desiludir os seus
protetores e fãs, mas desta vez, vou elogiá-la. É mais corajosa e amiga do que
eu alguma vez fui.
Corajosa porque… porque é preciso muita coragem para, sendo
Ana Rita Cavaco - cidadã ou Ana Rita Cavaco – Bastonária, participar em…
digamos, nisto. Saberia certamente que no meio dos elogios, iria ser alvo de crítica,
paródia e troça mas, a meu ver, não se incomoda minimamente com isso.
E amiga, porque supostamente fez um grande favor a um amigo.
Terá eventualmente poupado umas centenas ao amigo, evitando que o mesmo
pague-se cache a uma modelo. Mas aqui já não há certezas, estou na base da
especulação. A única certeza que tenho é que eu nunca seria tão amigo assim de
quem quer que fosse. Definitivamente que diria “não”, a um convite de um amigo
e provavelmente diria “não” também a um convite de uma amiga. Pensaria talvez
quatro vezes, caso houvesse cache chorudo, mas eu não sou bastonário, porque
nesse caso, seria um “não” definitivo.
Nas redes sociais, deparamo-nos com as mais variadas reações
por parte de enfermeiros e não-enfermeiros: alguns desvalorizam, outros elogiam
e a maioria critica. Dessa maioria, alguns fazem paródia, outros simplesmente
criticam, com uma tomada de posição de indignação ou descrédito. E há ainda os
que se insurgem com quem simplesmente critique, sem parodiar ou ofender.
Há algumas questões que gostaria de colocar. Eu vou colocá-las
e vou dar a minha resposta. Quem quiser, é bem-vindo a dar a sua.
1. Tem Ana Rita Cavaco – cidadã / Ana Rita Cavaco –
Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, o direito de participar neste videoclip?
Obviamente que tem.
2. Enquanto participa no videoclip, deixa de ser bastonária
e é simplesmente Ana Rita Cavaco, cidadã?
Não. Ana Rita Cavaco será sempre (até ao fim do mandato) associada
à função de Bastonária, até porque na divulgação desta notícia, é difundido
pelos meios de comunicação social que o “deputado-cantor contracena com
Bastonária da Ordem dos Enfermeiros”, não escrevem que o deputado-cantor
contracena com a cidadã Ana Rita Cavaco.
3. Sendo Ana Rita Cavaco a maior representante dos
enfermeiros e havendo enfermeiros com as mais diversas opiniões, posturas e
personalidades que vão do zero ao oitenta, deverá ou não ter alguma moderação
com a postura pública?
Sim, deverá. Se para uns, isto é muito giro, a música é uma
delícia e Ana Rita Cavaco faz o que entender no seu tempo livre, para outros a
música é um vómito, a letra uma comédia trágico-romântica e sentem-se
indignados por esta imagem pública da maior representante dos enfermeiros, ou
seja, as deles representante.
4. Poderão as pessoas, sendo elas enfermeiros e enfermeiras,
ou não, criticar esta postura?
Obviamente que sim.
5. Parodiar?
Sim, evidentemente.
6. Ofender?
Não. E até agora não vi nenhuma ofensa.
7. Poderão os admiradores, fãs ou defensores de Ana Rita
Cavaco, atacar e ofender quem a critica?
Não. Mas como são fracos seres, é o que habitualmente fazem e estão a fazê-lo.
O assunto dá azo a tanta paródia que até Ricardo Araújo
Pereira dedica alguns minutos a este assunto no seu programa semanal e mais uma
vez, a referência é a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, relembrando também o
processo em tribunal dos Quilómetros. Portanto, nos últimos tempos (mas não só
nos últimos tempos) as associações que se fazem à Bastonária é paródia e
tribunais, quando deveria ser soluções para uma evolução na profissão.
Por tudo isso, termino com o seguinte profundo e filosófico poema do cantor-deputado Luis Gomez:
"Somos como somos
E a vida é como é
Se o amor bate à tua porta
Mas não o queres ver"
"Mas... como... o que... quem... hein?"
31 março, 2023
Algum comentário?
25 março, 2023
Os problemas de assédio moral no Hospital de Viana
Como sempre fiz ao longo de vários anos de blogs, (são 2
apenas… blogs. Porque anos de blog já são muitos mais) não vou mencionar nomes
de pessoas e Serviços ou Unidades. Apenas refletir e opinar.
É importante começar por sublinhar que um processo de
denúncia é sempre extremamente complexo, delicado e pesado para todos os
envolvidos, especialmente para os denunciantes.
Por isso, o meu respeito e consideração por todos os
profissionais que tiveram a coragem de assinar esse abaixo-assinado ou
Manifesto em oposição aos problemas que são do conhecimento público e que
lamentavelmente estão disseminados um pouco por todo o país, por todo o mundo: assédio
moral e violência psicológica, por quem está acima na hierarquia laboral.
Este flagelo não é único na instituição implicada. Muitos
certamente têm conhecimento de problemas semelhantes numa outra Unidade, mas
significativamente mais pequena. Aí só não “rebenta a bomba” porque a equipa de
enfermagem é muito curta e desunida. Dessa forma, o senhor diretor de serviço
reina a seu belo prazer, como se de uma clínica privada se tratasse, mas nem
nessas se pode aceitar uma liderança autocrática, com coação permanente.
Conheço de muito perto ambos os problemas. A fonte
sempre foi segura e totalmente fiável. Muitos profissionais desta instituição sabem,
mas sempre se foi consentindo, porque os visados são muito poderosos.
Voltando ao primeiro e central problema. Mantenho contacto
com vários colegas que pertencem a essa equipa que redigiu a denúncia. Pertenci
a esse departamento, felizmente já não. Tive eu próprio o meu conflito com o
visado e curiosamente devido ao Blog. Por isso estou em posição de ter uma
opinião.
Este caso relembrou-me esse episódio conflituoso. E como
além de conflituoso, é curioso, partilho convosco. Foi provavelmente o episódio
que mais me marcou em 15 anos de blogs.
Corria o ano de 2015. À data, o senhor de que se fala, já
era máximo responsável por todo o departamento em questão.
Decidiu então, o senhor de que se fala (relembre-se,
médico), que os enfermeiros da Unidade X teriam de descer para ajudar no
Serviço Z, trabalhando à tarefa. O Serviço Z tinha passado uma fase recente de
aumento de rácio, que há muito se desejava, porém, mesmo assim, o senhor de que
se fala, decidiu, contra vontade de praticamente toda, ou toda até, equipa de
enfermagem da Unidade X, que os elementos da mesma sairiam por “empréstimo”
para o Serviço Z, para trabalhar à tarefa. Depois de muitos conflitos,
discussões e confusões, foi o que aconteceu.
Na altura escrevi sobre isso de forma ponderada. Expus o meu
ponto de vista com algum cuidado, porque sabia que aquele meu post
poderia “chegar-lhe aos ouvidos”. Lancei questões para a reflexão e discussão
geral. Escrevi sobre os aspetos positivos e negativos daquele contexto, naquele
momento. Não queria problemas, até porque, apesar de não pertencer a nenhum dos
dois serviços envolvidos, pertencia ao mesmo departamento. Não podia comprar
uma guerra com alguém do topo da pirâmide e que eu (e muitos outros), já consideravam
extremamente perigoso.
O Blog atravessava uma fase de enorme afluência. Tinha
centenas de visitas e participantes diários. Era um autor anónimo e procurava a
muito custo manter o meu anonimato, mas nessa fase comecei a ser “descoberto”.
A curiosidade e a vontade de destaparem o meu anonimato era tanta, que envolveu
engenheiros informáticos para me identificarem.
O senhor de que se fala sabia-o. E soube-o por colegas meus,
que na altura considerei traidores. Chama-me a um gabinete, traz o diretor do
Serviço Z da altura e o enfermeiro-chefe. Fecha a porta e alterado, “encosta-me
à parede”. (Não me tocou! É em sentido figurativo!) Praticamente só ele
falou. Disparou, ameaçou como quis. Eu respondi que aquilo era apenas a minha
opinião, mas que se incomodava assim tanto, que apagaria esse post. Manteve o
tom e aí dei possivelmente a melhor resposta da minha vida, perante uma grande
adversidade ou intimidação – respondi-lhe que “o 25 de Abril já tinha
acontecido em Portugal.” Sendo ele natural de país estrangeiro, poderia ter
sido demasiadamente provocador. Mas aí o tom desceu, terá percebido talvez que
eu não me iria deixar intimidar. E por muito dura que fosse a ameaça, terá
percebido, naquele instante, que eu estava disposto a defender-me até ao último
reduto. Mesmo assim acabei por retirar o post, seria uma luta desigual e
teria que pensar em algo mais do que apenas em mim e na minha convicção e
liberdade de expressão.
Ainda hoje guardo o post em “rascunhos” e este momento fez-me
revisitá-lo e confirmar que de facto era inofensivo. Era uma opinião (igual à de muitos que permaneciam em silêncio) e que afinal fazia algum sentido, porque
tempos mais tarde, aquela imposição terminou. Os enfermeiros da Unidade X, deixaram
de ter de descer para o Serviço Z.
Voltando novamente ao problema central.
É importante salientar que todo o departamento em questão evoluiu
sob a coordenação do senhor de que se fala. A Unidade X e o Serviço Z melhoraram
a sua capacidade e estou convicto que todos os que fazem esta grave denúncia,
reconhecem que o senhor de que se fala, teve uma forte influência nesse facto.
Mas… para que um líder seja bom, a capacidade de gestão e
organização de serviços e equipas não se pode dissociar de uma única premissa –
o respeito entre pares. Uma não pode crescer em sentido oposto à outra.
Um líder só é bom, quando consegue conciliar estes dois aspetos.
O inquérito apurará a verdade dos factos e as decisões estarão a cargo da administração.
Só espero que depois disto, não saiam prejudicados todos
aqueles (e foi em número extenso) que tiveram a coragem de assinar essa
denúncia.
E espero também que nenhum líder autocrático resista a equipas unidas e sólidas
21 março, 2023
Até sempre avó Mila
A minha avó morreu ontem no conforto do seu lar. Em paz. Morreu
no dia de renascimento da Primavera, um dia de luz e alegria, como tanto
gostava.
Foram 4 dias de um sono profundo, tranquilo, até ontem. O
dia da sua partida. Em paz.
A sua família, todos os que amava, junto a si.
Houveram silêncios, lágrimas e risos ao redor da cama. Pelo amor
e respeito, pela saudade e amizade, pelas histórias e recordações. Desde os
filhos até aos pequenos bisnetos, todos ao seu jeito, se despediram.
Deveria ser sempre assim, em qualquer lar. Mas nem sempre é,
ou atrevo-me a pensar que poucas vezes será, num panorama nacional.
A minha avó durante estes longos e difíceis meses, teve o
apoio de uma equipa de suporte em cuidados paliativos. Esclareceram dúvidas,
quer por telefone, quer presencialmente, conversaram, aconselharam, ajustaram a
medicação para um maior conforto, falaram sobre o que é sempre complexo de
abordar, porque cada um tem a sua perceção e filosofia de vida. (Como
trabalho também neste contexto, por vezes dou por mim a pensar que palavras
escolher com aquela família, para abordar o assunto morte).
Também ouviram e guardaram as suas histórias e conselhos de
mulher sábia e solidária.
A minha avó entrou no sono profundo numa quinta-feira. A
equipa de cuidados paliativos já lá tinha estado antes, numa fase em que ainda
se alimentava, apesar de muito pouco ou quase nada. Pela sua ultra-resistência
e por já ter passado por vários momentos semelhantes, não se antevia, nesse
momento, o fim tão próximo.
As últimas noites tinham sido muito pesadas para a minha avó
e para o meu tio, que com ela morava.
Na sexta-feira eu a minha prima, ambos profissionais de
saúde, fomos comunicando a toda a família que a morte da nossa avó estava para
breve. Pensei que fosse uma questão de horas, mas foram 4 dias.
A minha irmã sai de Tenerife, uma outra prima de Viseu, o primeiro bisneto do Porto. Rapidamente todos estavam por perto.
Era o momento de pensar no plano para minimizar qualquer sofrimento, quer da minha avó, quer de toda a minha família, pois estávamos a entrar no fim-de-semana e sem a equipa de suporte. Eram quase 17h, sexta-feira, hora de encerramento do serviço da Equipa de suporte em cuidados paliativos, até segunda-feira.
Mas tinha de lhes telefonar. Tinha a sorte de ser enfermeiro,
a sorte de pertencer à mesma instituição, a sorte de sermos parceiros em
trabalho, a sorte de ter alguns dos seus contactos pessoais, a sorte de ter
algumas relações de amizade. Mas nem todos podem, nem todos têm.
Aí, tive uma ajuda fundamental e decisiva.
Ela não teria de o fazer, pois estava na sua mais que
merecida pausa, mas fê-lo, por amizade e mesmo que não fosse por amizade, não
tenho dúvidas que o faria e a quem quer que fosse.
E não tenho dúvidas que qualquer um dos elementos desta
equipa o faria, porque neles reconheço um sentido humanitário mais além. Esse é o principal requisito para o objetivo que se pretende atingir nestas equipas.
Durante todo o fim-de-semana, de manhã até à noite,
estivemos em contacto. Por vezes nem era eu que tomava a iniciativa. E só assim conseguimos garantir esse ambiente de
confraternização e paz.
E por isso o meu eterno reconhecimento e agradecimento. A todos e a ela em especial. E o agradecimento da minha família que tanto os elogiaram.
E quis o destino que fosse como escrevi com 10 anos de
idade, nessa composição – “Irei acalmá-la em qualquer problema que ela tiver”,
pois com esta ajuda, coloquei na minha avó o dispositivo que profundiu a
medicação necessária para que tivesse em paz, para que partisse em paz.
Com isto pretendo chegar a um único ponto: Alargar com
urgência, o suporte em cuidados paliativos, a todo o utente do SNS, de forma
permanente.
É certo que os serviços autónomos em cuidados paliativos não
existiam a 10, 15 anos atrás. Nem quero imaginar, no passado, como se morria em
casa ou como não se morria em casa.
Muito evoluímos em cuidados paliativos neste país, nestes anos.
Mas há que evoluir mais.
Deixo o apelo ao Ministro da saúde, ao CEO do SNS e a todas as administrações de ULS deste país para assegurar cuidados paliativos nos sete dias da semana, 24 horas por dia, porque a morte não tem horas de expediente.
09 março, 2023
Eu queria um casaco da Ordem
Eu queria um casaco da Ordem. Faço aqui um apelo a Ana Rita
Cavaco ou a quem pertença à Ordem, para me satisfazer este desejo. Se já
tiverem esgotados, enviem-me por favor um chocolate. Cinquenta mil euros em
casacos, prendas e chocolates, deve dar alguma coisinha para mim!
Não pude, nem queria estar nesta Convenção da OE, mas 37.000
eur só em casacos, suponho que não seja só para quem lá foi. Não me parece que
lá tenham estado 3000 enfermeiros, isto a 12 eur o casaco, ou então eram
casacos da Gucci, que a patroa tanto gosta.
Continuando na melodia de Gabriel o Pensador, cá estou
novamente para informar uns e incomodar outros. Não sou o único a questionar o volume
e o sentido destes gastos, mas como já referi antes, perpetua-se no tempo um
estranho silêncio sobre assuntos delicados, que estão relacionados com a Ordem
dos Enfermeiros.
Sobre finanças, questionei em 2021, no Manifesto peladignidade dos enfermeiros, os cerca de 150 000 eur pagos a não
enfermeiros, para dois estudos sobre abandono e condições de trabalho. No
último post questionei os 400 000 eur gastos em processos judiciais e o
1.200.000 em serviços e assessoria jurídica. Hoje questiono as despesas nessa
conta de somar, aí em cima. (fonte base.gov) Sobre finanças, acho que posso
garantir que fico por aqui, enough is enough.
Sim, ok, sou persistente, obsessivo até, mas parece-me
exagerado.
50.000 em prendinhas, parece-me exagerado. 110.000 em
catering, parece-me exagerado. 50.000 em serviços audiovisuais num congresso,
parece-me exagerado. 130.000 em marketing, parece-me exagerado e
despropositado, com telenovelas ridículas e publicidade vazia à profissão, à
mistura.
Também me parece exagerado que a bastonária da Ordem dos
Enfermeiros, na sua página de Facebook, envie e passo a citar, “para o
caralho”, “quem vem por mal” e publique posts com, e passo a citar: “e se me
foderem muito a cabeça”, ou “vai à merda” e comente para aqueles que a
processaram e passo a citar: “quero mesmo é que se fodam”. Parece-me exagerado.
Voltando atrás, àquela conta, pois já me estava a perder a
consultar todo o lixo traseiro.
Alguém sabe o motivo para 20.000 eur em autocarros? Não?! Eu
explico-vos, ou relembro-vos. Recordam-se da grande manifestação de enfermeiros
em 2019, em Lisboa, organizada por alguns sindicatos? Recordam-se também, que
perante os Estatutos da Ordem dos Enfermeiros, “A Ordem está impedida de
exercer ou de participar em atividades de natureza sindical”? É só somar 1+1.
Para terminar, eu não me oponho nada que a Ordem para
a qual eu e tu descontam perto de 10 eur/mês, gaste dinheiro em prendas,
casacos, chocolates, brindes, autocarros, marketing, catering e etc.
Oponho-me sim, é à forma, volume e motivo.
23 fevereiro, 2023
Eu queria ser advogado na Ordem
Gabriel o Pensador queria morar numa favela, eu queria ser advogado na Ordem, onde há sempre trabalho e contratos pagos a peso de ouro, de preferência por ajuste direto.
Ao longo destes dois mandatos, já perdi a conta aos processos judiciais que envolvem a bastonária Ana Rita Cavaco (ARC) e a Ordem dos Enfermeiros (OE), seja do lado da queixa, seja da defesa. Tenho curiosidade em saber a quantos vai. Um dia saberemos.
O que tenho em conta é que os advogados que representam e têm representado a OE e ARC, são dos mais conceituados da praça nacional. Sabemos o que isso significa em numerário, certo?
Consultei mais uma vez a plataforma base.gov para tentar perceber os gastos e ter certeza do que escrevo.
Ao longo destes dois mandatos, em despesas relacionadas com processos judiciais, foram gastos perto 400.000 eur. Eu vou repetir, mas por extenso: em despesas relacionadas com processos judiciais, foram gastos perto de quatrocentos mil euros.
Ao longo destes dois mandatos, só em serviços e assessoria jurídica, foram gastos cerca de 1.200.000 eur. Eu vou repetir, mas por extenso: só em serviços e assessoria jurídica
foram gastos cerca de 1 milhão e duzentos mil euros.
Quem tem dúvidas ou ficou com um espasmo, consulte a plataforma.
Como é óbvio, parte deste dinheiro terá sido para assuntos legítimos e necessários.
A questão que se coloca é se se gastou 1.200.000 eur em assuntos legítimos e necessários para o verdadeiro interesse e missão da Ordem dos Enfermeiros.
Entre vários processos passados e pendentes, avança para tribunal o mais mediático e que, na minha opinião, mancha (aquele que se desejaria ser) o bom nome da Ordem dos
Enfermeiros.
Uma investigação da Polícia Judiciária, que se arrastava há demasiado tempo, veio confirmar as suspeitas dos crimes de peculato e falsificação de documentos, por parte de ARC e outros elementos da Ordem dos Enfermeiros.
Ao lermos o artigo do Público (ver foto), percebemos que a investigação da PJ detetou
irregularidades que ultrapassam largamente aquilo que a magistrada titular do
inquérito considera. Percebemos também que a PJ detetou que vários dirigentes
da OE receberam milhares de Euros indevidamente, a título de “subsídios de
função”.
Indevidamente, porque eram e são dirigentes dos Conselhos Jurisdicional e de Enfermagem, ou seja, órgãos não executivos, logo não tinham direito ao suplemento salarial. Pelo que se lê, a magistrada, volta a ter outra teoria, considerando que são órgãos executivos, quando os Estatutos dizem o contrário.
O último parágrafo do artigo também é interessante: basicamente estes “subsídios de função” foram aprovados em AG dois anos após começarem a ser pagos. Questiono se terão sido aprovados naquelas AGs convocadas com três dias de antecedência, ou
eventualmente naquela famosa AG na Madeira.
A permissividade e confusão da magistrada e a qualidade premium dos advogados de defesa, levam-me a pensar que é provável acabar em arquivamento. Vamos aguardar. Em princípio estarei para assistir.
Em Abril de 2021 fui o rosto do Manifesto pela dignidade dos enfermeiros, onde cerca de 250 pessoas assinaram uma tomada de posição de desagrado e repúdio, pela postura da bastonária da OE, nomeadamente por:
1 - Envolvimento continuado em diferentes polémicas, com recurso a afirmações controversas e sem fundamento, à inverdade e ao rumor;
2 - Suspeitas de gestão danosa, gastos indevidos, despropositados e exorbitantes, bem como permanentes assessorias jurídicas para alimentar a sua atração vertiginosa para a litigância e conflitualidade e o recurso a publicidade atentatória da dignidade e bom
nome dos enfermeiros;
3 - Exercício indevido de competências sindicais;
4 - Ofensas e insultos que mancham a reputação e a dignidade profissional dos enfermeiros.
Fui insultado por vários e ameaçado por outros. Nada o justificava, muito menos quando já nessa altura e hoje ainda, se suspeita que algo não está certo na Ordem. Se um processo avança para tribunal, é porque algo cheira mal. A esses, dir-lhes-ia apenas que
ainda existem pessoas que não vivem iludidas, ofuscadas e desatentas.
O estilo destes e de ARC sempre foi o insulto aos opositores ou àqueles de que não gostam. Nunca desci, nem vou descer a esse nível rasteiro e sujo.
Sobre este processo dos desvios de dinheiro, assim como para qualquer outro, existe sempre a presunção de inocência. Existem suspeitas sólidas, por conclusão da Polícia
Judiciária, o que, por si só, na minha opinião, é demasiadamente grave, mas não
passam de suspeitas e até prova em contrário, os arguidos são inocentes.
Desde o Manifesto, até hoje, sempre escrevi “suspeitas”. E apesar de ter a minha opinião, por tudo o que tenho assistido e ouvido, ao longo destes anos, em torno de ARC e OE, nunca escrevi “culpados”, muito menos nesta matéria tão grave e sensível.
Independentemente do desfecho deste processo, a minha opinião sempre foi que ARC não merece o lugar que ocupa, principalmente desde o momento em que insultava colegas no Facebook.
A minha mulher insiste que eu sou obcecado pela Bastonária. Fiquei preocupado, refleti sobre isso. Desta vez, não tem razão, como é habitual. Eu sou é obcecado pela
verdade, justiça, integridade, dignidade e honestidade, logo...
Não consigo perceber como há colegas que desvalorizam estas notícias,
Não consigo perceber como há colegas que desculpam os factos, com a justificativa de que há outras altas individualidades que desviam muito mais e “ninguém faz nada”.
Não consigo perceber como há um silêncio estranho quando se trata de notícias desagradáveis sobre ARC e OE. Ou até percebo. Os colegas têm receio de comentar, porque sabem que podem levar com um processo disciplinar, como já tem acontecido. Faz lembrar o tempo do lápis azul.
Para terminar, antecipo a minha resposta aos previsíveis ataques dos fiéis cavaleiros e cavaleiras, seguidores de ARC, sejam eles perfis falsos, ou não.
Suponho que comentem:
Só apareces para criticar
a ARC!
Nem sempre. Tenho estado ausente. Na última fase do Blog, antes desta tentativa de reinício, é certo que esse foi o assunto maioritário, por força das circunstâncias (ler o
Manifesto), mas em breve tenciono voltar a refletir sobre outras coisas bem mais interessantes.
Se não estás bem, candidata-te à Ordem!
Já o fiz (ou tentei) e provavelmente vou voltar a fazê-lo. O objetivo foi e é o de colaborar num processo de evolução do nosso grupo profissional, apoiando aquele ou aquela que
considere ser melhor bastonário(a).
Tu queres é ir para o Ordem!
Bom, mas afinal em que ficamos? Devo, ou não devo? Não necessariamente. Estou atualmente muito feliz e realizado com as minhas funções atuais. Mas, tendo em conta que vai terminar o reinado de ARC e sendo certo que possa iniciar-se outro reinado dentro do mesmo estilo (muitos até dizem que é bem pior), não posso descartar essa possibilidade, pois se tanto me incomoda e se tanto critico este tipo de liderança na OE, não posso ficar indiferente.
Tudo respondido? Destilem
lá o ódio, mas não sejam malcriados, ouviu Sr. Fernando Dias e aquela senhora
lá dos Açores, que não sabe escrever em português... Luísa qualquer coisa.








