25 março, 2023

Os problemas de assédio moral no Hospital de Viana



Quem estiver mais ou menos atento às notícias, provavelmente já notou que há um problema num determinado serviço do Hospital de Viana.

Como sempre fiz ao longo de vários anos de blogs, (são 2 apenas… blogs. Porque anos de blog já são muitos mais) não vou mencionar nomes de pessoas e Serviços ou Unidades. Apenas refletir e opinar.

É importante começar por sublinhar que um processo de denúncia é sempre extremamente complexo, delicado e pesado para todos os envolvidos, especialmente para os denunciantes.

Por isso, o meu respeito e consideração por todos os profissionais que tiveram a coragem de assinar esse abaixo-assinado ou Manifesto em oposição aos problemas que são do conhecimento público e que lamentavelmente estão disseminados um pouco por todo o país, por todo o mundo: assédio moral e violência psicológica, por quem está acima na hierarquia laboral.

Este flagelo não é único na instituição implicada. Muitos certamente têm conhecimento de problemas semelhantes numa outra Unidade, mas significativamente mais pequena. Aí só não “rebenta a bomba” porque a equipa de enfermagem é muito curta e desunida. Dessa forma, o senhor diretor de serviço reina a seu belo prazer, como se de uma clínica privada se tratasse, mas nem nessas se pode aceitar uma liderança autocrática, com coação permanente.

Conheço de muito perto ambos os problemas. A fonte sempre foi segura e totalmente fiável. Muitos profissionais desta instituição sabem, mas sempre se foi consentindo, porque os visados são muito poderosos.

Voltando ao primeiro e central problema. Mantenho contacto com vários colegas que pertencem a essa equipa que redigiu a denúncia. Pertenci a esse departamento, felizmente já não. Tive eu próprio o meu conflito com o visado e curiosamente devido ao Blog. Por isso estou em posição de ter uma opinião.

Este caso relembrou-me esse episódio conflituoso. E como além de conflituoso, é curioso, partilho convosco. Foi provavelmente o episódio que mais me marcou em 15 anos de blogs.

Corria o ano de 2015. À data, o senhor de que se fala, já era máximo responsável por todo o departamento em questão.

Decidiu então, o senhor de que se fala (relembre-se, médico), que os enfermeiros da Unidade X teriam de descer para ajudar no Serviço Z, trabalhando à tarefa. O Serviço Z tinha passado uma fase recente de aumento de rácio, que há muito se desejava, porém, mesmo assim, o senhor de que se fala, decidiu, contra vontade de praticamente toda, ou toda até, equipa de enfermagem da Unidade X, que os elementos da mesma sairiam por “empréstimo” para o Serviço Z, para trabalhar à tarefa. Depois de muitos conflitos, discussões e confusões, foi o que aconteceu.

Na altura escrevi sobre isso de forma ponderada. Expus o meu ponto de vista com algum cuidado, porque sabia que aquele meu post poderia “chegar-lhe aos ouvidos”. Lancei questões para a reflexão e discussão geral. Escrevi sobre os aspetos positivos e negativos daquele contexto, naquele momento. Não queria problemas, até porque, apesar de não pertencer a nenhum dos dois serviços envolvidos, pertencia ao mesmo departamento. Não podia comprar uma guerra com alguém do topo da pirâmide e que eu (e muitos outros), já consideravam extremamente perigoso.

O Blog atravessava uma fase de enorme afluência. Tinha centenas de visitas e participantes diários. Era um autor anónimo e procurava a muito custo manter o meu anonimato, mas nessa fase comecei a ser “descoberto”. A curiosidade e a vontade de destaparem o meu anonimato era tanta, que envolveu engenheiros informáticos para me identificarem.

O senhor de que se fala sabia-o. E soube-o por colegas meus, que na altura considerei traidores. Chama-me a um gabinete, traz o diretor do Serviço Z da altura e o enfermeiro-chefe. Fecha a porta e alterado, “encosta-me à parede”. (Não me tocou! É em sentido figurativo!) Praticamente só ele falou. Disparou, ameaçou como quis. Eu respondi que aquilo era apenas a minha opinião, mas que se incomodava assim tanto, que apagaria esse post. Manteve o tom e aí dei possivelmente a melhor resposta da minha vida, perante uma grande adversidade ou intimidação – respondi-lhe que “o 25 de Abril já tinha acontecido em Portugal.” Sendo ele natural de país estrangeiro, poderia ter sido demasiadamente provocador. Mas aí o tom desceu, terá percebido talvez que eu não me iria deixar intimidar. E por muito dura que fosse a ameaça, terá percebido, naquele instante, que eu estava disposto a defender-me até ao último reduto. Mesmo assim acabei por retirar o post, seria uma luta desigual e teria que pensar em algo mais do que apenas em mim e na minha convicção e liberdade de expressão.  

Ainda hoje guardo o post em “rascunhos” e este momento fez-me revisitá-lo e confirmar que de facto era inofensivo. Era uma opinião (igual à de muitos que permaneciam em silêncio) e que afinal fazia algum sentido, porque tempos mais tarde, aquela imposição terminou. Os enfermeiros da Unidade X, deixaram de ter de descer para o Serviço Z.

Voltando novamente ao problema central.

É importante salientar que todo o departamento em questão evoluiu sob a coordenação do senhor de que se fala. A Unidade X e o Serviço Z melhoraram a sua capacidade e estou convicto que todos os que fazem esta grave denúncia, reconhecem que o senhor de que se fala, teve uma forte influência nesse facto.

Mas… para que um líder seja bom, a capacidade de gestão e organização de serviços e equipas não se pode dissociar de uma única premissa – o respeito entre pares. Uma não pode crescer em sentido oposto à outra.

Um líder só é bom, quando consegue conciliar estes dois aspetos.

O inquérito apurará a verdade dos factos e as decisões estarão a cargo da administração.

Só espero que depois disto, não saiam prejudicados todos aqueles (e foi em número extenso) que tiveram a coragem de assinar essa denúncia.

E espero também que nenhum líder autocrático resista a equipas unidas e sólidas

21 março, 2023

Até sempre avó Mila

            

A minha avó morreu ontem no conforto do seu lar. Em paz. Morreu no dia de renascimento da Primavera, um dia de luz e alegria, como tanto gostava.

Foram 4 dias de um sono profundo, tranquilo, até ontem. O dia da sua partida. Em paz.

A sua família, todos os que amava, junto a si.

Houveram silêncios, lágrimas e risos ao redor da cama. Pelo amor e respeito, pela saudade e amizade, pelas histórias e recordações. Desde os filhos até aos pequenos bisnetos, todos ao seu jeito, se despediram.

Deveria ser sempre assim, em qualquer lar. Mas nem sempre é, ou atrevo-me a pensar que poucas vezes será, num panorama nacional.

A minha avó durante estes longos e difíceis meses, teve o apoio de uma equipa de suporte em cuidados paliativos. Esclareceram dúvidas, quer por telefone, quer presencialmente, conversaram, aconselharam, ajustaram a medicação para um maior conforto, falaram sobre o que é sempre complexo de abordar, porque cada um tem a sua perceção e filosofia de vida. (Como trabalho também neste contexto, por vezes dou por mim a pensar que palavras escolher com aquela família, para abordar o assunto morte).

Também ouviram e guardaram as suas histórias e conselhos de mulher sábia e solidária.

A minha avó entrou no sono profundo numa quinta-feira. A equipa de cuidados paliativos já lá tinha estado antes, numa fase em que ainda se alimentava, apesar de muito pouco ou quase nada. Pela sua ultra-resistência e por já ter passado por vários momentos semelhantes, não se antevia, nesse momento, o fim tão próximo.

As últimas noites tinham sido muito pesadas para a minha avó e para o meu tio, que com ela morava.

Na sexta-feira eu a minha prima, ambos profissionais de saúde, fomos comunicando a toda a família que a morte da nossa avó estava para breve. Pensei que fosse uma questão de horas, mas foram 4 dias.

A minha irmã sai de Tenerife, uma outra prima de Viseu, o primeiro bisneto do Porto. Rapidamente todos estavam por perto. 

Era o momento de pensar no plano para minimizar qualquer sofrimento, quer da minha avó, quer de toda a minha família, pois estávamos a entrar no fim-de-semana e sem a equipa de suporte. Eram quase 17h, sexta-feira, hora de encerramento do serviço da Equipa de suporte em cuidados paliativos, até segunda-feira.

Mas tinha de lhes telefonar. Tinha a sorte de ser enfermeiro, a sorte de pertencer à mesma instituição, a sorte de sermos parceiros em trabalho, a sorte de ter alguns dos seus contactos pessoais, a sorte de ter algumas relações de amizade. Mas nem todos podem, nem todos têm.

Aí, tive uma ajuda fundamental e decisiva.

Ela não teria de o fazer, pois estava na sua mais que merecida pausa, mas fê-lo, por amizade e mesmo que não fosse por amizade, não tenho dúvidas que o faria e a quem quer que fosse.

E não tenho dúvidas que qualquer um dos elementos desta equipa o faria, porque neles reconheço um sentido humanitário mais além. Esse é o principal requisito para o objetivo que se pretende atingir nestas equipas.

Durante todo o fim-de-semana, de manhã até à noite, estivemos em contacto. Por vezes nem era eu que tomava a iniciativa. E só assim conseguimos garantir esse ambiente de confraternização e paz.

E por isso o meu eterno reconhecimento e agradecimento. A todos e a ela em especial. E o agradecimento da minha família que tanto os elogiaram.

E quis o destino que fosse como escrevi com 10 anos de idade, nessa composição – “Irei acalmá-la em qualquer problema que ela tiver”, pois com esta ajuda, coloquei na minha avó o dispositivo que profundiu a medicação necessária para que tivesse em paz, para que partisse em paz.

Com isto pretendo chegar a um único ponto: Alargar com urgência, o suporte em cuidados paliativos, a todo o utente do SNS, de forma permanente.

É certo que os serviços autónomos em cuidados paliativos não existiam a 10, 15 anos atrás. Nem quero imaginar, no passado, como se morria em casa ou como não se morria em casa.

Muito evoluímos em cuidados paliativos neste país, nestes anos.

Mas há que evoluir mais.

Deixo o apelo ao Ministro da saúde, ao CEO do SNS e a todas as administrações de ULS deste país para assegurar cuidados paliativos nos sete dias da semana, 24 horas por dia, porque a morte não tem horas de expediente.                     



09 março, 2023

Eu queria um casaco da Ordem

Eu queria um casaco da Ordem. Faço aqui um apelo a Ana Rita Cavaco ou a quem pertença à Ordem, para me satisfazer este desejo. Se já tiverem esgotados, enviem-me por favor um chocolate. Cinquenta mil euros em casacos, prendas e chocolates, deve dar alguma coisinha para mim!

Não pude, nem queria estar nesta Convenção da OE, mas 37.000 eur só em casacos, suponho que não seja só para quem lá foi. Não me parece que lá tenham estado 3000 enfermeiros, isto a 12 eur o casaco, ou então eram casacos da Gucci, que a patroa tanto gosta.

Continuando na melodia de Gabriel o Pensador, cá estou novamente para informar uns e incomodar outros. Não sou o único a questionar o volume e o sentido destes gastos, mas como já referi antes, perpetua-se no tempo um estranho silêncio sobre assuntos delicados, que estão relacionados com a Ordem dos Enfermeiros.

Sobre finanças, questionei em 2021, no Manifesto peladignidade dos enfermeiros, os cerca de 150 000 eur pagos a não enfermeiros, para dois estudos sobre abandono e condições de trabalho. No último post questionei os 400 000 eur gastos em processos judiciais e o 1.200.000 em serviços e assessoria jurídica. Hoje questiono as despesas nessa conta de somar, aí em cima. (fonte base.gov) Sobre finanças, acho que posso garantir que fico por aqui, enough is enough.

Sim, ok, sou persistente, obsessivo até, mas parece-me exagerado.

50.000 em prendinhas, parece-me exagerado. 110.000 em catering, parece-me exagerado. 50.000 em serviços audiovisuais num congresso, parece-me exagerado. 130.000 em marketing, parece-me exagerado e despropositado, com telenovelas ridículas e publicidade vazia à profissão, à mistura.

Também me parece exagerado que a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, na sua página de Facebook, envie e passo a citar, “para o caralho”, “quem vem por mal” e publique posts com, e passo a citar: “e se me foderem muito a cabeça”, ou “vai à merda” e comente para aqueles que a processaram e passo a citar: “quero mesmo é que se fodam”. Parece-me exagerado.

Voltando atrás, àquela conta, pois já me estava a perder a consultar todo o lixo traseiro.

Alguém sabe o motivo para 20.000 eur em autocarros? Não?! Eu explico-vos, ou relembro-vos. Recordam-se da grande manifestação de enfermeiros em 2019, em Lisboa, organizada por alguns sindicatos? Recordam-se também, que perante os Estatutos da Ordem dos Enfermeiros, “A Ordem está impedida de exercer ou de participar em atividades de natureza sindical”? É só somar 1+1.

Para terminar, eu não me oponho nada que a Ordem para a qual eu e tu descontam perto de 10 eur/mês, gaste dinheiro em prendas, casacos, chocolates, brindes, autocarros, marketing, catering e etc.

Oponho-me sim, é à forma, volume e motivo.


23 fevereiro, 2023

Eu queria ser advogado na Ordem



(Clique na imagem para aumentar e ler o artigo)

Gabriel o Pensador queria morar numa favela, eu queria ser advogado na Ordem, onde há sempre trabalho e contratos pagos a peso de ouro, de preferência por ajuste direto.  

Ao longo destes dois mandatos, já perdi a conta aos processos judiciais que envolvem a bastonária Ana Rita Cavaco (ARC) e a Ordem dos Enfermeiros (OE), seja do lado da queixa, seja da defesa. Tenho curiosidade em saber a quantos vai. Um dia saberemos. 

 

O que tenho em conta é que os advogados que representam e têm representado a OE e ARC, são dos mais conceituados da praça nacional. Sabemos o que isso significa em numerário, certo?

 

Consultei mais uma vez a plataforma base.gov para tentar perceber os gastos e ter certeza do que escrevo.  

 

Ao longo destes dois mandatos, em despesas relacionadas com processos judiciais, foram gastos perto 400.000 eur. Eu vou repetir, mas por extenso: em despesas relacionadas com processos judiciais, foram gastos perto de quatrocentos mil euros.

 

Ao longo destes dois mandatos, só em serviços e assessoria jurídica, foram gastos cerca de 1.200.000 eur. Eu vou repetir, mas por extenso: só em serviços e assessoria jurídica foram gastos cerca de 1 milhão e duzentos mil euros. 

 

Quem tem dúvidas ou ficou com um espasmo, consulte a plataforma. 

 

Como é óbvio, parte deste dinheiro terá sido para assuntos legítimos e necessários.

A questão que se coloca é se se gastou 1.200.000 eur em assuntos legítimos e necessários para o verdadeiro interesse e missão da Ordem dos Enfermeiros.

 

Entre vários processos passados e pendentes, avança para tribunal o mais mediático e que, na minha opinião, mancha (aquele que se desejaria ser) o bom nome da Ordem dos Enfermeiros. 

 

Uma investigação da Polícia Judiciária, que se arrastava há demasiado tempo, veio confirmar as suspeitas dos crimes de peculato e falsificação de documentos, por parte de ARC e outros elementos da Ordem dos Enfermeiros.  

 

Ao lermos o artigo do Público (ver foto), percebemos que a investigação da PJ detetou irregularidades que ultrapassam largamente aquilo que a magistrada titular do inquérito considera. Percebemos também que a PJ detetou que vários dirigentes da OE receberam milhares de Euros indevidamente, a título de “subsídios de função”.

 

Indevidamente, porque eram e são dirigentes dos Conselhos Jurisdicional e de Enfermagem, ou seja, órgãos não executivos, logo não tinham direito ao suplemento salarial. Pelo que se lê, a magistrada, volta a ter outra teoria, considerando que são órgãos executivos, quando os Estatutos dizem o contrário.  

 

O último parágrafo do artigo também é interessante: basicamente estes “subsídios de função” foram aprovados em AG dois anos após começarem a ser pagos. Questiono se terão sido aprovados naquelas AGs convocadas com três dias de antecedência, ou eventualmente naquela famosa AG na Madeira.

 

A permissividade e confusão da magistrada e a qualidade premium dos advogados de defesa, levam-me a pensar que é provável acabar em arquivamento. Vamos aguardar. Em princípio estarei para assistir. 

 

Em Abril de 2021 fui o rosto do Manifesto pela dignidade dos enfermeiros, onde cerca de 250 pessoas assinaram uma tomada de posição de desagrado e repúdio, pela postura da bastonária da OE, nomeadamente por: 

 

1 - Envolvimento continuado em diferentes polémicas, com recurso a afirmações controversas e sem fundamento, à inverdade e ao rumor; 

2 - Suspeitas de gestão danosa, gastos indevidos, despropositados e exorbitantes, bem como permanentes assessorias jurídicas para alimentar a sua atração vertiginosa para a litigância e conflitualidade e o recurso a publicidade atentatória da dignidade e bom nome dos enfermeiros; 

3 - Exercício indevido de competências sindicais; 

4 - Ofensas e insultos que mancham a reputação e a dignidade profissional dos enfermeiros. 

 

Fui insultado por vários e ameaçado por outros. Nada o justificava, muito menos quando já nessa altura e hoje ainda, se suspeita que algo não está certo na Ordem. Se um processo avança para tribunal, é porque algo cheira mal. A esses, dir-lhes-ia apenas que ainda existem pessoas que não vivem iludidas, ofuscadas e desatentas.  

 

O estilo destes e de ARC sempre foi o insulto aos opositores ou àqueles de que não gostam. Nunca desci, nem vou descer a esse nível rasteiro e sujo. 

 

Sobre este processo dos desvios de dinheiro, assim como para qualquer outro, existe sempre a presunção de inocência. Existem suspeitas sólidas, por conclusão da Polícia Judiciária, o que, por si só, na minha opinião, é demasiadamente grave, mas não passam de suspeitas e até prova em contrário, os arguidos são inocentes.

 

Desde o Manifesto, até hoje, sempre escrevi “suspeitas”. E apesar de ter a minha opinião, por tudo o que tenho assistido e ouvido, ao longo destes anos, em torno de ARC e OE, nunca escrevi “culpados”, muito menos nesta matéria tão grave e sensível. 

 

Independentemente do desfecho deste processo, a minha opinião sempre foi que ARC não merece o lugar que ocupa, principalmente desde o momento em que insultava colegas no Facebook. 

 

A minha mulher insiste que eu sou obcecado pela Bastonária. Fiquei preocupado, refleti sobre isso. Desta vez, não tem razão, como é habitual. Eu sou é obcecado pela verdade, justiça, integridade, dignidade e honestidade, logo...

 

Não consigo perceber como há colegas que desvalorizam estas notícias,  

 

Não consigo perceber como há colegas que desculpam os factos, com a justificativa de que há outras altas individualidades que desviam muito mais e “ninguém faz nada”.

 

Não consigo perceber como há um silêncio estranho quando se trata de notícias desagradáveis sobre ARC e OE. Ou até percebo. Os colegas têm receio de comentar, porque sabem que podem levar com um processo disciplinar, como já tem acontecido. Faz lembrar o tempo do lápis azul.

 

Para terminar, antecipo a minha resposta aos previsíveis ataques dos fiéis cavaleiros e cavaleiras, seguidores de ARC, sejam eles perfis falsos, ou não. 

 

Suponho que comentem: 

 

Só apareces para criticar a ARC! 

 

Nem sempre. Tenho estado ausente. Na última fase do Blog, antes desta tentativa de reinício, é certo que esse foi o assunto maioritário, por força das circunstâncias (ler o Manifesto), mas em breve tenciono voltar a refletir sobre outras coisas bem mais interessantes.  

 

Se não estás bem, candidata-te à Ordem! 

 

Já o fiz (ou tentei) e provavelmente vou voltar a fazê-lo. O objetivo foi e é o de colaborar num processo de evolução do nosso grupo profissional, apoiando aquele ou aquela que considere ser melhor bastonário(a). 

 

Tu queres é ir para o Ordem! 

 

Bom, mas afinal em que ficamos? Devo, ou não devo? Não necessariamente. Estou atualmente muito feliz e realizado com as minhas funções atuais. Mas, tendo em conta que vai terminar o reinado de ARC e sendo certo que possa iniciar-se outro reinado dentro do mesmo estilo (muitos até dizem que é bem pior), não posso descartar essa possibilidade, pois se tanto me incomoda e se tanto critico este tipo de liderança na OE, não posso ficar indiferente.

 

Tudo respondido? Destilem lá o ódio, mas não sejam malcriados, ouviu Sr. Fernando Dias e aquela senhora lá dos Açores, que não sabe escrever em português... Luísa qualquer coisa.

21 março, 2022

#Putinsnãoentram


Alguém sabe o que foi feito e o que está a ser feito em relação à violência/agressões nas instituições de saúde?

Passado um mês das brutais agressões a enfermeiros, por parte de um grupo que invadiu o Serviço de Urgência do Hospital de Famalicão, fico na dúvida se andámos todos adormecidos.

Tudo vai continuar igual ao que estava, certo?

Tudo vai continuar impávido e sereno até próximo soco?

É certo que as referidas agressões coincidiram com o início da invasão e Guerra na Ucrânia que nos deixou (e continua a deixar) siderados e revoltados, mas talvez seja o momento de olharmos também para uma das nossas "guerras" internas e agirmos.

Há um mês atrás, mal soube deste caso, escrevi aqui no Blog, disparando em todos os sentidos e  destilando ódio étnico. 

Agora, mais calmo e ponderado, não devo cair no erro discriminatório, apesar de tanto me apetecer e sim, focar-me no essencial.

Se alguém da Ordem dos Enfermeiros, dos Sindicatos de Enfermagem, Associações ou Grupos organizados ou não organizados de Enfermeiros, estiver a ler isto, que me informe por favor, sobre o que é que foi feito e o que é que está a ser feito em relação à violência/agressões a profissionais de saúde?

Volto a referir que é urgente agir, pois vidas estão em risco. 

Sem querer ser alarmista, as nossas vidas estão em risco. Setecentas (reportadas) agressões no espaço de alguns meses, ditam futuramente uma fatalidade, no campo das probabilidades.

Já tinha dado a minha sugestão, que volto a repetir:

Façamos uma forte Manifestação de enfermeiros, convidando todos os outros profissionais que direta e indiretamente desempenham funções no sector da Saúde, sob o lema  único e exclusivo - Segurança na Saúde - Contra as agressões, que leve o Governo a tomar medidas rápidas, concretas e eficazes.

Para maior impacto, lancemos dessas coisas modernas dos hashtags, que nem sei bem como funcionam.

Sugiram por favor! Ganha o mais original!

Eu dou o mote:

#deixemmetrabalhar

#quantomaismebatesmenosgostodeti

#enfermeirostambémsangram

#Putinsnãoentram

Finalizo com um apelo aos sindicatos e OE, para que se unam nesta matéria e passem à ação, pois, repito, talvez seja a única onde todos estão em sintonia.

24 fevereiro, 2022

ATÉ QUANDO VAI DURAR ESTA MERDA ?


Até quando vai durar esta merda?

Mas afinal que merda de país é este que não é capaz de proteger os seus profissionais de saúde?

MERDA! MERDA! MERDA pra isto!!


Partilhem a merda dessa imagem, partilhem! Disseminem massivamente esta imagem para que, quem governa (ou faz que governa) este país, fique pelo menos um bocado na merda, se é que têm vergonha na cara. Sim, porque os principais culpados são eles, não é o grupo de ciganos.


Há quantos anos andamos a falar desta merda?

Em quantas agressões (reportadas!) já vamos? Mais de 700? Muda às 1000 e acaba às 2000? É isso?

Notifiquem dizem eles! Escrevam no portal, mandem a queixa para entidades competentes bla bla bla! Para quê, seus merdas? 

Quantas queixas são precisas para que se implementem medidas rigorosas, duras e implacáveis?

Já apanharam a merda destes parasitas? Provavelmente nem a merda de uma câmara os identifica, ou nem existe.

E depois? Apanham estes merdas, vão a julgamento, mas não podem pagar indemnizações porque são desempregados, não querem trabalhar, têm medo ao trabalho como de sapos, não descontam, mas andam de BM. Cadeia? Nada disso... alguma vez?! 

Não gosto da "cultura" e da mentalidade cigana. Não conheço quem goste. Temem-nos e desprezam-nos. Talvez tenha sido por isso?! De quem é a responsabilidade? Deles ou da sociedade que desprezam, deles ou da sociedade que lhes garante os direitos, mas que não lhes exige os deveres? 

Ou será que é do Estado que não encontra formas de os incluir? Eterna discussão que parece não ter solução.

Sim, é certo que grande parte das agressões em hospitais são de ciganos. Trabalhei vários anos num Serviço de Urgência e relembro o murro que um colega meu levou nos olhos e até hoje não sabe dos óculos. Assisti e vivenciei insultos, ameaças, coação, cinismo, arrogância, falta de educação e falsa bajulação, quando queriam pedir algo.


Os conflitos atenuavam quando chegava o "Mediador social", o verdadeiro chefe da orquestra, que entrava e entra pela Urgência como se mandasse naquela merda toda! Eles como são como as ovelhas, respeitavam o latir. Faço parte da administração, dizia ele enquanto entrava em qualquer sala da Urgência, sem autorização.

Mas a verdade é que tinha e tem autorização da Administração. Chegamos ao ponto de uma Administração hospitalar ter que dar privilégios a um traste, para não haver confusão à porta e dentro de uma Urgência.


Mas adiante, o que estava a dizer é que não são apenas ciganos que agridem. Há toda uma panóplia de imbecis, que agridem e passam impunes.


Nada disso aconteceria, ou pelo menos seria minimizado, se voltasse a haver PSP fixa à porta da Urgência, como quando comecei a trabalhar. A Polícia impunha sempre respeito e em caso de necessidade, de imediato chamava reforços. Sim, sentíamo-nos protegidos.

Mas não! Corta com a policia que fica caro! Tão caro quanto a merda de subsídio de risco que lhes pagam. E nós queremos subsidio de risco? Pois queremos! Mas provavelmente vai ser diretamente proporcional à merda dos 50 eur que a Policia recebe e como eles (ainda) correm mais riscos, talvez com 20 paus nos queiram calar.


Mas alguém se vai calar agora? Sejamos unidos e solidários! Podias ser tu a enfardar e a ficar com sequelas físicas e mentais para a vida.


Com tudo isto, quero-vos dizer apenas isto:

ESQUEÇAM POR AGORA  A LUTA PELAS PROGRESSÕES, CARREIRA, E RECOMPENSAS COVID! ESQUEÇAM O DINHEIRO NESTE MOMENTO. AS NEGOCIAÇÕES IRÃO DECORRER. JÁ TARDE, MAS IRÃO.


INICIEMOS AGORA UM MOVIMENTO FORTE, QUE SE DIRECCIONE PARA UMA MANIFESTAÇÃO/GREVE CUJO ASSUNTO É UNICA E EXCLUSIVAMENTE: 


SEGURANÇA DOS ENFERMEIROS, DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE!


ABRANJEMOS AS OUTRAS CLASSES! BASTA!


SINDICATOS, ORDEM, ASSOCIAÇÕES E NOMES DA ENFERMAGEM QUE SE UNAM EM TORNO DESTE ASSUNTO, JÁ QUE DEVERÁ SER O ÚNICO ASSUNTO EM QUE TODOS ESTÃO EM SINTONIA!


O POVO BATE PALMAS, MAS NÃO SE ALIA NO QUE TOCA A DINHEIRO. ALIAR-SE-IA PELA SEGURANÇA DE QUEM LHES TRATA DA SAÚDE.


QUEM ESTÁ DENTRO?