16 abril, 2021
𝗦𝗮𝗶 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝘂𝗺 𝗽𝗿𝗼𝗰𝗲𝘀𝘀𝗼 𝗱𝗲 𝗱𝗶𝗳𝗮𝗺𝗮çã𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗮 𝗺𝗲𝘀𝗮 𝟱 𝗳𝗮𝘇 𝗳𝗮𝘃𝗼𝗿!
15 abril, 2021
Já leu o Manifesto pela Dignidade dos enfermeiros?
Não tem o alcançe nem o mediatismo das petições que envolvem a Operação Marquês, mas não deixa de ser relevante que em poucos dias, perto de 250 pessoas já assinaram a Petição que subscreve o Manifesto pela Dignidade dos enfermeiros.
Um Manifesto que assume uma tomada de posição pública de enfermeiros que não se revêm na postura da sua bastonária.
É preocupante ou alarmante até, quando recebemos respostas de colegas que concordam com o Manifesto e que ficam indignados com o comportamento da Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, mas que não assinam com medo de represálias, porque o seu chefe de serviço ou o seu Professor da Especialidade pertencem à equipa da Sra Enf.ª Ana Rita Cavaco. Até fico com a garganta seca.
É preocupante quando muitos colegas até condenam o comportamento e as atitudes da bastonária, mas não querem saber da Ordem para nada. Só se vêem obrigados a pagar quotas e desvalorizam totalmente o seu papel.
É preocupante quando os fiéis seguidores da Sra Enf.ª Ana Rita Cavaco procuram ridicularizar este Movimento, utilizando até expressões como "aceita que doi menos" que já são características deste estilo que repudiámos. Será que têm noção que estão a ofender centenas de pessoas? Será que têm a noção que estão a desvalorizar de forma desrespeitosa a opinião e a convicção de outros? Serão estes colegas enfermeiros? Incompreensivelmente sim.
Mas este Movimento continua, passo a passo, até ao objectivo final. A luta pela dignidade, pelo respeito, pela verdade e pela enfermagem nunca esmorece, apenas ganha força, dure o tempo que durar.
É importante que este Movimento cresça ainda mais e para isso é feito o convite para leitura do Manifesto e assinatura da Petição que o subscreve.
Assim,
Leitura do MANIFESTO PELA DIGNIDADE DOS ENFERMEIROS
👉 Aqui
ou
👉 Aqui
Apoia o MANIFESTO PELA DIGNIDADE DOS ENFERMEIROS por assinatura confidencial
👉 Aqui
Todos os factos estão devidamente confirmados e comprovados.
✻ Apoia esta causa! Partilha esta mensagem!
12 março, 2021
4.º Comunicado - Manifesto pelo Dignidade
04 março, 2021
Caro Abílio,
Espero que não me leve a mal o facto de partilhar publicamente esta mensagem que lhe enviei, após o seu convite de amizade no Facebook.
Partilho-a porque acho que é importante que outras pessoas, quer
sejam enfermeiros ou não (como o Abílio), tenham conhecimento daquilo que foi o
passado, para que assim se perceba o presente e comece a delinear o futuro.
Tomei a liberdade de fazer uns pequenos ajustes à mensagem
original que lhe enviei.
Então aqui vai,
Caro Abílio,
Louvo-lhe o desejo em querer
unir os enfermeiros. Aprecio a sua atenção e dedicação para com os problemas
dos enfermeiros.
Sei que em tempos teve um justo e merecido reconhecimento, após o
seu apoio numa Manifestação, salvo erro porque foi incansável com o megafone.
Aplaudo-o.
Seria bom ou muito bom que a maioria dos portugueses se
interessasse pelo menos metade do que o Abílio se interessa pelos problemas da
enfermagem em Portugal, mas infelizmente Abílio, parece-me que não tem noção de
todo um contexto.
Caro Abílio, a desunião dos enfermeiros infelizmente não vem de
agora e muito menos com um mero Manifesto que lidero.
A desunião já́ vem, por exemplo, do tempo em a maior representante
dos enfermeiros portugueses atacou persistentemente o sindicato mais
representativo de enfermeiros, por sinal dos Enfermeiros Portugueses também.
Já vem do tempo em que,
não sendo a única, minou muitas opiniões e fomentou, digamos… (gostaria de ser
mais subtil, mas…) ódio é a palavra certa a meu ver, a muitos enfermeiros por
esse mesmo sindicato, ao ponto de muitos insultarem e assobiarem à passagem das
suas portas, em plena Avenida 24 de Julho, na mega manifestação em Lisboa,
que provavelmente até o Abílio esteve presente.
Eu também lá estive Abílio e não foi nada bonito, nada digno de
enfermeiros.
Estive lá como enfermeiro e como dirigente sindical da época, desse
mesmo sindicato, convencido e otimista nessa tal tão “desejada” união.
Agora já não sou Abílio! Eles pensam que sim! Como se isso fosse uma
etiqueta qualquer que invalide a manifestação de opinião e que rotule quem se
opõe ao “regime” como “essa esquerdalha” ou a “esquerda caviar”!
Desunião, para mim Abílio, é isso.
Desunião Abílio, para mim, é quando a Ordem dos Enfermeiros
organiza um Encontro num Anfiteatro no Museu D. Diogo de Sousa em Braga, convidando todos os sindicatos com o pretexto da
tão desejada união, mas que não passou de mais um vil ataque a esse mesmo
sindicato.
Eu estive lá Abílio e não foi nada bonito, nada digno de
enfermeiros.
O Plano estava tão bem montado que até jornalista trazia a lição
tão bem estudada, para dirigir a sua lança apenas e só ao presidente desse mesmo
Sindicato. Numa palavra, foi deplorável Abílio. Aqui tem uma descrição mais precisa desse marco (ler aqui)
Caro Abílio,
Acha mesmo que me vou unir a
quem me insulta e me diz: "você até rasga o cú para ter um pouco de
atenção!".
Acha mesmo que me vou unir a quem me chama louco e criminoso, por
ter decidido avançar com um Manifesto de tomada de posição , em oposição àquilo
com que nunca me identificarei enquanto enfermeiro e cidadão?
Acha mesmo que me vou unir a
quem ofende colegas de profissão, ou não, com parvos, parvalhonas, burros,
porcos, bestas, bandalhos, mentirosos ordinários, vigaristas e estercos?
Acha mesmo que me vou unir a quem envia cumprimentos a pais dos
visados, já falecidos?
Acha mesmo que me vou unir a quem se vangloria em conseguir
resolver as coisas, “porque têm medo de mim”?
Se há valores que os meus pais
e avós me transmitiram foram os valores da verdade, justiça e respeito e esses
eu nunca os renegarei.
Abilio se me disser quais as
suas intenções para querer ser meu amigo aqui nesta rede social tão magnífica
e tão lamaçenta, de nome Facebook, eu escutá-lo-ei.
Se vier por bem, sem querer monitorizar e espiar o que eu gosto ou
não gosto , como alguns que defendem o que o Abílio defende, fizeram.
Então pode vir. Aceito todos que venham por bem.
Agora se insistir no ataque, sem que leia ou se pronuncie sobre os
motivos do Manifesto, então pode ficar por aí.
Abraço e felicidades para si e para os seus.
Tiago Marinho Subtil
01 março, 2021
Quando se recua 50 anos...
Quando
se recua 50 anos...
Ainda sobre o Manifesto
pela Dignidade, que muito em breve será divulgado.
continua o trabalho pela verdade, protegidos pela liberdade, democracia (e advogados também).
*******
Uma colega assinou o primeiro Manifesto, cujo primeiro assinante é o Prof.
Manuel Lopes.
Posteriormente partilhou-o aos seus contactos, através do seu email profissional.
O seu Diretor recebeu uma queixa por parte da Ordem, alegando que a colega estaria a fazer "campanha contra a Ordem".
Resultado: nada aconteceu, nem me parece que vá acontecer, isto se residirmos num país livre e democrático. Mas por vias das dúvidas, usem vosso email pessoal. Há quem vos queira silenciar e intimidar.
Um colega que sempre trabalhou no estrangeiro. Membro de um
grupo de rede social de enfermeiros portugueses a trabalhar no estrangeiro.
Este grupo era muito importante para ele, pelos contactos que mantinha e pelo
trabalho que desenvolvia.
Teve a "ousadia" de criticar o facto da Bastonária
da Ordem dos Enfermeiros ter ido dar um beijo de amiga a André Ventura. Perguntou à mesma, "o que tinha a dizer de ter estado presente na Convenção do CHEGA, que desrespeitou todas as indicações da DGS, depois de ter criticado a festa do Avante.
A Digníssima Bastonária leu, não gostou e conversou com os
administradores do Grupo.
Resultado: o colega foi banido do grupo.
As conclusões ficam ao vosso critério.
Colega, se não te revês em:
- Atropelo à imagem e dignidade dos enfermeiros, decorrente das posições da Bastonária da Ordem dos enfermeiros, com ofensas e insultos a inocentes (e supostos culpados) das acusações de incumprimento das regras de prioridade vacinal e a enúmeros enfermeiros, seus colegas, que com educação, expõe factos e pontos de vista.
- Vários processos em tribunal, em curso e já terminados, pagos com o dinheiro das nossas quotas.
- Irregularidades por parte de Ana Rita Cavaco, nas assinaturas da sua folha de Ponto no seu anterior local de trabalho (foi arguida e constituída culpada por, "falsificação da folha de presenças, uma vez que a preencheu, relativamente a dias e horas em que declarou ter estado ao serviço, não o tendo estado"). Consequências deliberadas pelo CJ – Zero.
- Processo da Sindicância em Ministério Público, ameaças e confirmações de processos de difamação e o processo em investigação, já antigo sobre suspeitas de falta de transparência e uso indevido de verbas da OE.
- Atropelo à imagem e dignidade dos enfermeiros, decorrente dos muitos milhares de euros pagos à SIC, para uma telenovela "promover" de forma absurda os enfermeiros.
- Centenas de milhares de Euros pagos em avenças para serviços prestados à OE, por parte de amigos do CHEGA e PSD. (nem que fossem do PS ou BE).
- Clima permanente de guerrilha com o Ministério da Saúde, o que mantém inviabilizado o diálogo e o consenso.
Envia tua intenção de leitura e de assinatura do Manifesto para:
manifesto.dignidade.cj@hotmail.com
Despeço-me com a seguinte mensagem que recebi:
Infelizmente há muita gente que tem receio de ter problemas,
os climas de medo calam as pessoas perante o mal, retiram-lhes a liberdade sem
que por vezes se apercebam disso e neste momento vimos isto acontecer a vários
níveis, na sociedade e na enfermagem.
Mas como Edmund Burke disse, para que o mal perdure basta que
os homens bons nada façam.
Cumprimentos a todos e estamos juntos na defesa da profissão
e da liberdade.
26 fevereiro, 2021
É esta a vossa forma de apoio a Ana Rita Cavaco?
Desalento por constatar que há enfermeiros que, imbuídos num padrão antidemocrático, usam a ofensa, ódio, injúria, ridicularização, discriminação
e preconceitos esteriotipados, como arma contra quem tem uma opinião diferente
das suas.
Foi isso mesmo que há cerca de dois anos me fez deixar de visitar páginas
de enfermagem em redes sociais. O lixo e a falta de educação era constante.
Desgastava-me a ler ofensas entre enfermeiros e a tentar mudar algumas visões
fixas e erráticas, quando na verdade, ambos sabíamos que era uma perda de
tempo. Responsabilizo em parte os administradores das páginas de Enfermeiros no Facebook. Sei que é praticamente impossível controlar e moderar todos os comentários, mas há colegas que, há vários anos, são recorrentes no insulto. Na minha opinião, após os respectivos avisos, ser-lhes-ia vedado o acesso, pois o único objectivo que têm é denegrir a imagem de quem discordam, ofender, ridicularizar e discriminar.
Agora surgiu este Manifesto pela Dignidade e regresso ao lugar que prometi não voltar.
Vale-me ao menos todas as reações positivas e mensagens de ânimo, a contrastar com as ofensas de quem está muito nervoso
e irritado com um Manifesto, que é o culminar de um Movimento que quer tomar uma posição, iniciativa essa que está consagrada na Constituição da República
Portuguesa.
Assim, antes de prosseguir com o assunto do post, vamos ao mais importante.
Colega, se não te revês em:
- Atropelo à imagem e dignidade dos enfermeiros, decorrente das posições da bastonária dos enfermeiros, com ofensas e insultos a inocentes (e supostos culpados) das acusações de incumprimento das regras de prioridade vacinal e a enúmeros enfermeiros, seus colegas, que com educação, expõe factos e pontos de vista.
- Vários processos em tribunal, em curso e já terminados, pagos com o dinheiro das nossas quotas.
- Irregularidades por parte de Ana Rita Cavaco, nas assinaturas da sua folha de Ponto no seu anterior local de trabalho (foi arguida e constituida culpada por, "falsificação da folha de presenças, uma vez que a preencheu, relativamente a dias e horas em que declarou ter estado ao serviço, não o tendo estado")
- Processo da Sindicância em MP, ameaças e confirmações de processos de difamação e o processo em investigação, já antigo sobre suspeitas de falta de transparência e uso indevido de verbas da OE.
- Atropelo à imagem e dignidade dos enfermeiros, decorrente dos muitos milhares de euros pagos à SIC, para uma telenovela "promover" de forma absurda os enfermeiros.
- Centenas de milhares de Euros pagos em avenças para serviços prestados à OE, por parte de amigos do CHEGA e PSD. (nem que fossem do PS ou BE)
- Clima permanente de guerrilha com o MS, o que mantém inviabilizado o diálogo e o consenso.
Regressando atrás,
Uma ideia que começou num post no meu Blog, ganhou forma, volume e neste
momento, por muita pressão, intimidação, coação, ridicularização, confusão e
desvios de atenção que hajam, não tem ponto de retorno.
Afinal onde está o sentido democrático destes colegas, que pisam quem, de
forma legítima, ponderada e educada, se manifesta, não aceitando o que se tem
passado, principalmente em torno da líder da OE ?
A grande questão é que muitos incomodam-se com esta tomada de posição, mas
não vi nem um, a contra-argumentar as acusações que, educadamente e
comprovadamente, estão a ser feitas a Ana Rita Cavaco e que serão plasmadas no
Manifesto pela Dignidade.
É esta a vossa forma de apoio a Ana Rita Cavaco?
Não uso uma estratégia de vitimização muito característica neste populismo que tanto admiram, apenas apresento provas, factos.
Denuncio, demonstro e comprovo aquilo que é um ataque vil e cobarde à minha, e à de tantos outros, liberdade de opinião.
Provas onde é patente a falta de educação e respeito por quem defende algo
diferente daquilo que tu defendes.
Não sou vitima, porque as vitimas sofrem e são atingidas e a mim não me atingem, nem me demovem, apenas me fortalecem e dão ainda mais sentido a este Movimento - Manifesto
Sou integro e a minha consciência está cristalina como a água que nasce na “minha” Serra d´ Arga.
Vamos por pontos:
Ofensas. Aqui podemos verificar o verdadeiro arauto da ofensa, Sr. Enfermeiro Fernando Dias, que exerce funções na Ordem dos Enfermeiros, a confirmar aquilo que todos sabem, mesmo os que o aplaudem.
O senhor que escreve, e passo a citar: "o que nos distingue é que eu nunca quis ter essa tal importância. Ao contrário de vossa excelência que quase rasga o cú só para lhe darem um segundo de atenção".
O mesmo senhor que foi convidado para a Ordem, porque era muito "famoso"e activo nas redes sociais e não poderia estar no "lado inimigo".
Continuação de ofensas por parte de outros colegas, que espero eu, nunca venham a ser os meus colegas.
Para quem tem tantos problemas com os meus gostos políticos, eu volto a repetir e esclarecer. Não estou, nem estive filiado em qualquer partido. Identifico-me mais com políticas de esquerda. Nunca políticas extremas e principalmente de extrema direita, ao contrário de vários colegas e não colegas que cá têm vindo ofender, com saudades do Salazar.
Confusão e desvios de atenção.
Estes são apenas alguns exemplos dos enúmeros colegas que confundem assuntos e procuram desviar atenções. Repetidamente fui informando, até me cansar e desistir, que este Manifesto é um assunto e o facto de o Governo a dada altura, ter ofendido os enfermeiros, é outro assunto diferente. Ou não? Ou acham então que por o Governo nos ter ofendido, Ana Rita Cavaco também pode ofender, inclusivamente quem afinal é inocente das suas acusações? Claro que me revoltaram essas ofensas. Se fiz um Manifesto? Não, não fiz. E tu que me acusas de não o ter feito, fizeste? É típico de quem reclama, mas afinal fica sempre sentado, aguardando que outros façam. Infelizmente assisti muito a este quadro, enquanto dirigente sindical.
Questionam também insistentemente por que é que em vez desta iniciativa, não luto pela carreira. Mais uma vez assuntos distintos e mais uma vez esclareço que sempre lutei e continuo a lutar por uma carreira digna. Só demonstra que não têm lido ou não têm lido com atenção, os comunicados anteriores.
Tiago Subtil Membro OE n.º 40791
21 fevereiro, 2021
O inquietante agradecimento de Ana Rita Cavaco a Marcelino da Mata
Sei que incomodo muitos, com a minha, digamos, persistência em repudiar
posturas repetidamente condenáveis (na minha convicção) da actual bastonária da
Ordem dos Enfermeiros.
O problema é que, na minha consciência, é impossível permanecer em silêncio
perante absurdos de deixar pasmo qualquer pessoa de bem. Depois, além disso,
gosto de refletir, escrevendo e de manter aceso o Movimento – Manifesto pela
Dignidade, que em breve eclodirá. Se ainda procuras forma para o conhecer e
assinar, contacta manifesto.dignidade.cj@hotmail.com
Desta vez, a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros indignou-se porque só o CHEGA, mais uns apêndices de extrema direita e o PR (!!!!) estiveram no funeral de Marcelino da Mata.
Escreveu, passo a citar: “Um país sem memória e sem história não existe. Acham-se donos do país? Não são. Vergonha. A minha vénia Sr Tenente Coronel e o meu obrigada.” E termina com o hashtag “semperfi” e hashtag “vergonhanacional”.
Três apontamentos apenas, antes do desenvolvimento,
Sra Bastonária, o país tem memória sim e a história nunca se apaga, mas não se deve celebrar ou reconhecer aquelas que foram as páginas negras da história. Podemos relembrá-las para que nunca se repitam mais, mas nunca celebrá-las e muito menos agradecê-las.
Semperfi, uma forma abreviada de semper fidelis, o hashtag que se tornou emblemático no seu discurso, é uma expressão marcadamente militar, o que na minha opinião não se coaduna com aquilo que deveriam ser os pergaminhos de uma bastonária de uma Ordem profissional.
Vergonha é a palavra que o seu amigo André Ventura mais utiliza para atacar o Governo. Curiosamente utilizou-a no mesmo contexto. Não defendo o Governo, mas estar persistentemente a atacá-lo, é , no mínimo, contraproducente.
Então vejamos quem foi Marcelino da Mata, o “Rambo da Guiné”.
Fiz uma pesquisa de artigos de opinião, publicados em jornais e plataforma digitais de referência e chego a uma conclusão. Os que defendem e elevam Marcelino da Mata a herói, apenas se debruçam sobre os actos heroicos. Sim, este militar foi corajoso, ajudou a salvar outros militares portugueses e era exímio na “arte da guerra”, mas esquecem-se dos crimes de guerra. Esses são relembrados pelos autores que se opõem determinantemente a um reconhecimento. Há evidências de relatos de terror e barbárie, pelo próprio Marcelino da Mata, que se vangloriava dos seus actos macabros. Alguns desses, não os vou aqui mencionar para não magoar os(as) mais sensíveis, mas deixo os links.
In Expresso,
“Nunca foi herói. Os heróis têm um ideal, Marcelino da Mata não o tinha”, disse ao Expresso o coronel Carlos Matos Gomes, militar da revolução de Abril, que combateu na Guiné durante a Guerra Colonial. Artigo completo aqui
“Marcelino da Mata era tão contraditório como todas as guerras (…). Era um militar corajoso e audaz (…). À luz de qualquer código moral ou militar, cometeu inúmeros crimes de guerra. (…) Vangloriava-se de atirar granadas incendiárias para as palhotas e, depois, matar homens, mulheres e crianças.”
In Noticias Online - por Garcia Pereira
"Não apaguem a memória!” foi a palavra de ordem, e também a denominação, do
movimento cívico criado e lançado em 5 de Outubro de 2005 por um grupo de
cidadãos – o qual tive a honra de integrar – que justamente se indignou com o
facto de se permitir que o edifício sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso,
em Lisboa, pudesse ser transformado num condomínio de luxo, sem sequer se
assinalar não apenas que ali haviam sido encarcerados, torturados e até
assassinados, às mãos dos esbirros da polícia política, inúmeros combatentes
anti-fascistas (…)
Um povo sem memória é um povo sem futuro. (…) Ora, foi precisamente isto que sucedeu, entre outros, com os massacres de Batepá (em 3/2/1953, em São Tomé), Pidjiguiti (em 3/8/1959, na Guiné-Bissau), Mueda (em 16/6/1960, em Moçambique), Baixa do Cassange (em Fevereiro de 1961, em Angola), e como os de Mukumbura, Chaworba, Juawu e Wiriyamu (entre 1971 e 16 de Dezembro de 1972, todos no distrito de Tete, em Moçambique, e denunciados por padres católicos como Adrian Hastings e Enrique Fernando).
Todos estes massacres, sempre negados e desmentidos pelo regime fascista e pela sua propaganda, causaram centenas de vítimas (mais de 1.000 no de Batepá e mais de 400 no de Wiriyamu), assassinadas muitas delas com horríveis requintes tanto de repugnante malvadez como da mais miserável cobardia, que rigorosamente nada têm que ver com princípios de “honra”, de “coragem” ou de “heroísmo” e antes constituem verdadeiros crimes de guerra, os quais devem ser lembrados e denunciados como tal.
Porque, se o não fazemos, um dia destes até parecerá que não houve regime fascista, não houve nem censura nem polícia política, nem prisões, nem torturas, nem assassinatos políticos, nem guerra colonial, nem crimes ou criminosos de guerra(…).
Vem tudo isto a propósito do facto de que, nos últimos dias, imprensa e redes sociais se encheram de “notícias” e sobretudo de comentários relativos ao falecimento e ao funeral do tenente-coronel Marcelino da Mata e sobre as homenagens de que ele seria supostamente merecedor que alguns vieram defender, não raras vezes com o infelizmente habitual recurso ao insulto e ao ataque pessoal contra os discordantes.
E, mais do que isso, em tais cerimónias, e como se de um verdadeiro herói nacional se tratasse, fizeram-se representar os partidos políticos Chega, Ergue-te! e PDR e compareceram, para além do Chefe do Estado-Maior do Exército, General Nunes da Fonseca, e do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Almirante Silva Ribeiro, o próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que, todavia, já não esteve presente nos funerais de militares que fizeram o 25 de Abril e que faleceram recentemente como Teófilo Bento, Luís Macedo, ou Abrantes Serra.
Quem foi Marcelino da Mata?
Mas quem foi, afinal, Marcelino da Mata? (…)
Entre 1966 e 1973, Marcelino da Mata foi inúmeras vezes louvado e
condecorado pelo regime colonial-fascista, recebendo dezenas de louvores, duas
medalhas de 1ª classe, duas de 2.ª classe e uma medalha de 3ª classe da Cruz de
Guerra, tendo, em 02/07/69, sido feito Cavaleiro da Antiga e Muito Nobre Ordem
Militar da Torre e Espada, de Valor, Lealdade e Mérito (a mais elevada ordem
honorífica de Portugal).
É óbvio que o regime fascista não condecorava à toa, (…) Marcelino da Mata
ficou conhecido e se tornou merecedor dos louvores que recebeu, mas sim
enquanto colonizado que escolheu ficar do lado do colonizador e, muito mais
ainda, enquanto autor de barbaridades indizíveis contra não só o “inimigo” (os
guerrilheiros do PAIGC) mas também contra populações civis completamente
indefesas e com cuja tortura e massacres se satisfez, gabando-se e
orgulhando-se de tais “proezas” até ao fim dos seus dias. Não foi, aliás, por
acaso que ficou conhecido por “Rambo da Guiné”, comparado com o qual, conforme
o próprio se gabava, o original seria uma criança…
No livro O interior da revolução, de Vasco Lourenço, este relata explicitamente como Marcelino da Mata contou em Bissau a vários outros militares, uma das suas proezas: “(…) Entrámos na tabanca, deitámos granadas incendiárias para as palhotas, as pessoas fugiram para o centro da tabanca, matámos todos, homens, mulheres e crianças”.
Relato similar foi feito pelo próprio, em 1971, na sequência da Operação
Mar Verde, no Xime (cais do rio Geba), com exibição de um boião de vidro com
despojos humanos conservados em álcool, segundo referência de Clementino
Castro, da Companhia de Artilharia (CART) 3715.
E segundo os relatos dos que por lá passaram, quer na BA12, quer, antes disso, nos chamados “Roncos de Farim”, sempre foram amplamente conhecidas as sanguinárias façanhas de Marcelino da Mata, ou seja, dos verdadeiros crimes de guerra por ele cometidos, e o modo como deles se gabava e ufanava, a ponto de proclamar, e por diversas vezes, que quando capturava “turras” (guerrilheiros ou suspeitos de com estes colaborarem), não os entregava à PIDE pois preferia torturá-los das formas mais bárbaras e ficar a vê-los morrer no maior dos sofrimentos.(…)
Por isso, para que este pretenso “herói” Marcelino da Mata e o que ele representou e representa não seja esquecido, é preciso gritar de novo e bem alto:
Não apaguem a memória!
In Jornal Sol
“o
coronel Folques recorda um soldado exemplar: «Portou-se como sempre se portava.
Portou-se muito bem. (…) Foi o único militar que esteve sempre operacional, não
teve nenhum descanso, não teve nenhuma pausa, esteve presente durante os 13
anos de guerra que houve na Guiné», destaca o coronel Folques, (…) Marcelino da
Mata foi posto à prova. A lista estende-se por mais de duas mil missões,
incluindo a famosa ‘Mar Verde’, em 1970, na qual foram libertados 26
prisioneiros de guerra portugueses. (…) «É preciso dizer que são homens como o
Marcelino que têm coragem e altruísmo bastantes para pôr a sua vida em risco,
ao serviço de um conceito de pátria à prova de ideologias», recorda. Para o
major, o tenente-coronel «não foi apenas um soldado exemplar», foi também «um
cidadão que honra todos os portugueses e que envergonha todos os seus
detratores». «Marcelino não vai morrer, nem ele nem os comandos vão morrer. E
vão ficar na história, quer queira quem diz mal dele ou não»
Artigo completo, onde estão relatos chocantes aqui
In
Contacto, por Raquel Ribeiro
Declaração de princípios: sou, como muitos da minha
geração, filha de um veterano da guerra colonial. Não o digo para invocar
qualquer lugar de fala, mas para acrescentar que compreendo que memórias da
guerra não são nunca memórias em paz. (…)
Trabalho igualmente como investigadora com veteranos
de guerras civis (Angola) ou com dinâmicas distintas (Colômbia). Portanto, não
tratarei de julgar pessoas que em determinadas circunstâncias "fizeram
guerra", com tudo o que isso implica, apanhadas nas encruzilhadas da
história, inscrevendo-se ou apagando-se nela/dela consoante os processos da sua
(re)escrita. (…)
Interessa-me menos julgar Marcelo ou até os Capitães
de Abril que se pronunciaram sobre o militar, realçando a sua
"coragem" e, muitos, acrescentando um "mas" à sua conduta,
do que a exaltação de uma masculinidade tóxica, de uma retórica nacionalista,
salazarista, colonialista que circulou nos últimos dias a propósito do
"herói" contrafeito canonizado pela direita conservadora e pela
extrema-direita. Começou pela nota do CDS, para que se declarasse luto nacional
e funeral de Estado, e passou pelos louvores ao militar pelo líder do Chega, do
PNR, sites nacionalistas, e por comentadeiros com saudades do chicote da PIDE e
do sangue da guerra nas colónias.
“O Tenente-Coronel Comando Marcelino da Mata
foi o militar português mais condecorado de sempre. Durante a Guerra Colonial,
lutou pelas Forças Armadas de Portugal, tendo participado em 2412 operações de combate.
Com ele, morreu grande parte do Portugal que amava!
Marcelino da Mata abraçou uma Pátria que não escolheu a cor da pele. Queria sobreviver e, corajosamente, esteve sempre na primeira linha. Voluntarioso, era o primeiro a dar um passo em frente (…)
Os seus feitos fizeram dele uma lenda viva, uma referência
daqueles que olham com respeito a Bandeira Nacional e ainda se arrepiam ao
ouvir o Hino Nacional!
Dizia-me há dias um amigo que com ele privou que Marcelino da Mata era um ser humano extraordinário e que por trás do valente guerrilheiro estava um homem de sensibilidade rara. (…)
O Panteão Nacional, espera-o! Oxalá haja uma avaliação
objectiva, independente, patriótica para avançar com o processo!
Porque a História não se reescreve!









